domingo, 7 de novembro de 2010


DE CASA NOVA 

          A construção de uma casa, seja para moradia própria ou para aluguel e venda é um investimento bastante rentável, desde que haja consciência acerca dos procedimentos e técnicas quanto à economia e boa estruturação. Para quem nunca se arriscou nessa área, construir uma casa não é uma atividade muito fácil, afinal, não basta ter um projeto aprovado e uma equipe de obras se você não souber exatamente como funcionará todo o processo.
Para não ter surpresas, é preciso se envolver, ficar de olho e direcionar o andamento da obra, coordenando a escolha e a compra dos materiais. É fato que, se você não tem conhecimento em construções, precisará buscar informações com quem entenda. Mas de todas as formas, o dinheiro sairá do seu bolso e, portanto, você precisa acompanhar a obra do início ao fim.

Aqui serão sugeridas uma série de dicas fundamentais para que sua casa saia do jeito que você planejou: sem desperdícios com materiais ou gastos não-programados.

Localização

Ao escolher a localidade de sua casa nova, deve-se questionar inicialmente  qual estilo de vida quero ou posso ter? Se você prefere morar em um lugar afastado, tranqüilo, sem comércio ou serviços e pagar com tempo no trânsito, a escolha é legitima. Porém, é importante estar perto de onde você faz sua vida, pois assim terá um tempo menor de deslocamento entre casa, trabalho e escola. Assim como o preço, a localização é determinante na busca de um imóvel.
Foto: Carolina Bitencourt

A escolha do terreno deve ser feita, sempre que possível, a partir das condições ambientais do local, como a quantidade de luz incidente, presença de vegetação, tipo e permeabilidade do solo. A avaliação desses parâmetros, aliada a um projeto dinamicamente sustentável do seu arquiteto, pode gerar um melhor aproveitamento da luz solar (para iluminação durante o dia e aquecimento da água) e das correntes de ar (gerando um bom índice de umidade, mesmo em dias muito quentes).

Bairros verdes

Como resgatar os princípois de um bairro verde para uma casa mais sustentável?

Inicialmente idealizado pelo arquiteto e ambientalista Michael Corbett, com a construção do Village Homes em 1975, um bairro verde engloba uma atitude diferencial quanto a gestão de resíduos, consumo de energia e emissividade de CO2.  Nessas áreas, o uso da luz solar como fonte de energia elétrica, o uso racional da água, incluindo a captação daquela proveniente das chuvas, a compostagem de resíduos orgânicos, a coleta seletiva e a diminuição do uso de automóveis (como forma de reduzir a emissividade de CO2) são algumas das práticas adotadas[1].

Calçada arborizada no Village Homes.


As construções são embasadas na arquitetura verde também por priorizar o uso e materiais como bambu, adobe e madeira de reflorestamento. Telhados verdes ou mesmo aqueles pintados de branco também são usados para maior conforto térmico. Vale ressaltar a intensa arborização nesses locais, condizentes com a proposta de uma maior qualidade de vida para seus moradores.

Exemplo de moradia do Vilagge Homes.


Embora os bairros verdes estejam isolados dos grandes centos urbanos, eles são dotado de uma completa infra-estrutura que conta com núcleos institucionais e comerciais . Dessa forma seus habitantes percorrem curtas distâncias até o seu local de trabalho ou em busca de serviços, utilizando menos seus automóveis, emissores de gases estufa.



Tudo Conectado!
        A determinação do local da sua nova casa exerce implicações sociais e ambientais. O impacto causado pela remoção parcial da vegetação e do solo  pode ser recompensado com um projeto sustentável, que utilize a luz solar e a água de maneira inteligente, reduzindo as agressões ao meio ambiente. 

A possibilidade de morar próximo ao trabalho pode reduzir a quantidade de automóveis nas ruas, o que proporciona melhorias no  trânsito, reduzindo o estresse e o sedentarismo, além de ocasionar menor liberação de CO2 na atmosfera, uma vez que os veículos automotores são responsáveis por cerca de 54% a 60% dessas emissões [2]. Tais fatores também contribuem para uma maior qualidade de vida. 

Ville Radieuse, idealizada por Le Corbusier,

Países com sistemas de trânsito bem desenvolvidos como França e Holanda, que possuem uma infra-estrutura eficiente de ciclovias, por exemplo, estão melhor preparados para enfrentar, por exemplo, uma queda na produção de petróleo do que aqueles que dependem muito da frota automotiva.


Com uma estrutura cheia de opções de caminhadas e bicicletas, o número de viagens de automóvel pode ser facilmente reduzido de 10% a 20% [3]. Muitas comunidades americanas, como em Charlotte, na Carolina do Norte, não têm calçadas nem ciclovias, dificultando o deslocamento seguro de pedestres e ciclistas, particularmente onde as ruas apresentam tráfego intenso [4]. Portanto, os planos de urbanização bem pensados e executados exercem papel fundamental na dinâmica do trânsito, em que a prioridade é dada aos pedestres, assim como ocorre nos bairros verdes.

[1] Village Homes. Disponível em: http://www.villagehomesdavis.org/public/about Acesso em 1 nov. 2010.
[2] RIBEIRO, S. K. ; MATTOS, L. B. R. A Importância do Setor de Transporte Rodoviário no Aquecimento Global : O Caso da cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. 2000.
[3] BROWN, L. R. PLANO B 4.0 : Mobilização Para Salvar A Civilização. Edição brasileira. São Paulo: New Content, 2009.
[4] John Ritter, Narrowed Roads Gain Acceptance in Colo., Elsewhere,USA Today, 29 de julho de 2007; John Ritter, “‘Complete Streets’ Program Gives More Room for Pedestrians, Cyclists,” USA Today, 29 de julho de 2007.




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