domingo, 17 de outubro de 2010

Uma introdução ao pensamento sustentável

A Praça do Teatro Francês em Paris, obra do pintor impressionista francês Camille Pissarro.
A problemática ambiental surgiu por volta da década de 1960, acoplada ao crescimento demográfico mundial, conhecido como boom populacional. Desde então, o conceito de sustentabilidade ganhou força gradativamente, sendo o elo entre o desenvolvimento econômico e a preservação do meio ambiente para as futuras gerações. A prática sustentável, na verdade, resume-se a uma “minimização” das conseqüências das ações antrópicas prejudiciais a biodiversidade que vêm acumulando-se, principalmente, desde o surgimento das inovações tecnológicas da Revolução Industrial[¹]. Hoje, no entanto, não é lógico querer que toda uma população priorize as práticas sustentáveis e ações “ecologicamente corretas” da mesma maneira que os ambientalistas, pois é natural do ser humano, assim como todos os organismos vivos, dar prioridade a sua sobrevivência. Em face disto, a biodiversidade é encarada como nossa fonte de recursos e capital, ou seja, é atribuído uma “utilidade” aos componentes desta para que sua importância seja reconhecida. No entanto, chegar à esse raciocínio por si só é um erro: a vida é uma preciosidade no universo e a biodiversidade é algo tão grandioso e complexo que não pode ser atribuída de um “valor”. Isso só ocorre porque os seres humanos, criticamente, procuram uma utilidade prática em tudo o que os circundam.
Porque conservar a biodiversidade é uma questão muito frequente e importante a ser debatida entre leigos e a comunidade científica. No contexto em que estamos inseridos hoje, com elevados índices de poluição atmosférica e visual, com mais da metade da população mundial vivendo em áreas urbanas e o crescimento desordenado destas, as práticas sustentáveis vem ganhando grande relevância nos seus mais diversos âmbitos, sejam culturais, sociais ou econômicos. Na arquitetura e no urbanismo não poderia ser diferente: observa-se atualmente o surgimento de um novo urbanismo, baseado em uma filosofia de planejamento que, segundo a ambientalista Francesca Lyman , “procura reviver o modo tradicional de planejar as cidades, de uma era em que elas eram projetadas em torno de pessoas em vez de automóveis”[²]. Muito além do que serem projetados para as pessoas, os espaços urbanos devem ser integrados ao ecossistema, e não impostos à ele. Dessa forma, a responsabilidade ambiental transcende o campo teórico e o prazer de sentir o frescor e a sombra de um fragmento florestal passa a ser mais valorizado.

                                                            Augusto Bitencourt

[¹]Conjunto de mudanças tecnológicas iniciada na Inglaterra em meados do século XVIII, com profundo impacto no processo produtivo, pois permitiu maior eficiência do modo de produção industrial. Gerou profundas mudanças em nível econômico e social.
[²]Francesca Lyman, “Twelve Gates to the City: A Dozen Ways to Build Strong, Livable, and Sustainable Cities,” Words and Pictures Magazine, Issue 5, 2007; Lisa Jones, “A Tale of Two Mayors: The Improbable Story of How Bogota, Colombia, Became Somewhere You Might Actually Want To Live,” Grist Magazine, 4 de abril de 2002.

3 comentários:

  1. Ficou bem escrito... Boa sorte com os posts, espero que o blog fique bom =]

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  2. Muito bom... tomara que as pessoas entendam que o nosso planeta está precisando de CUIDADOS...urgente.

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  3. Aos amigos, Parabéns! Lendo, lembrei do 'Relatório Brundtland' ou 'Nosso Futuro Comum': 'aquele que satifaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades'. Desenvolvimento sustentável, desafio para arquitetura,obras ecoeficientes onde precisamos inovar, ousar, criar e atitude, fazendo as idéias acontecerem, buscando a eficiência. Acho interessante, sugiro um assunto atualmente nas construções o 'retrofit'(renovação/atualização). Abço

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