terça-feira, 21 de dezembro de 2010
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
O processo de construção conhecido como RETROFIT tem o propósito de revitalizar, modernizar e qualificar edifícios antigos, sem destrui-los. Possibilita, assim a preservação do patrimônio histórico e alta valorização do imóvel, sendo uma técnica crescente no mercado imobiliário.
Muitos prédios abandonados e “enfermos” dos centros urbanos, construções com baixa e/ou ineficiente dispersão de poluentes, alta umidade, má ventilação, descompensação de temperatura, pouca ergonomia ou com algum tipo de contaminação biológica ou química são os imóveis alvo para o RETROFIT.
O RETROFIT teve início na Europa devido à carência de terrenos disponíveis na área urbana e hoje também é muito utilizado nos Estados Unidos. No Brasil vem ganhando projeção e importância com a crescente conscientização sobre preservação ambiental e do patrimônio histórico, além da agregação de valor obtida através da eficiência e da redução nos prazos de execução da obra (ao invés da destruição, o renascimento!).
Trata-se de um conceito eco-eficiente que busca a criação de uma consciência de não desperdício e de sustentabilidade. Ao invés de se construir um prédio novo , opta-se por revitalizar um antigo; consiste no aproveitamento estrutural (umas das maiores preocupações com a destruição é que ela aumenta a demanda de resíduos sólidos nos aterros sanitários), e a utilização de tecnologias avançadas em sistemas prediais.
Tais tecnologias promovem o uso de materiais modernos que visam a eficiência energética, a customização (como segurança, conforto e automação), o reaproveitamento de águas cinzas e pluviais, otimização da luz natural e ventilação de ambientes, maior controle na emissão de gases poluentes, melhor qualidade do ar, aplicação do conceito dos 3Rs, tratamento do esgoto (caso não haja municipal), diminuindo custos de manutenção, qualificando e aumentando a vida útil do imóvel retrofitado.
Tais tecnologias promovem o uso de materiais modernos que visam a eficiência energética, a customização (como segurança, conforto e automação), o reaproveitamento de águas cinzas e pluviais, otimização da luz natural e ventilação de ambientes, maior controle na emissão de gases poluentes, melhor qualidade do ar, aplicação do conceito dos 3Rs, tratamento do esgoto (caso não haja municipal), diminuindo custos de manutenção, qualificando e aumentando a vida útil do imóvel retrofitado.
O RETROFIT quando corretamente planejado, projetado e executado, além de minimizar o período de execução e o valor da obra, acaba sendo um serviço para o futuro do planeta.
Dira Valli, colaboradora do construirSEMdestruir
Dira Valli, colaboradora do construirSEMdestruir
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Quando vocês imaginam o local ideal para morar, provavelmente prezam pela qualidade de vida por ele propiciada, levando em conta características urbanísticas como :
- Bom padrão de lotes e construções;
- Traçado viário que dificulta o trânsito de passagem em seu interior;
- Bairro exclusivamente residencial – sem comércio nos bolsões residenciais;
- Bairro horizontal – sem muitos prédios de apartamentos;
- Bairro verde (17m² de área verde/habitante);
- Ruas arborizadas e praças
Pois bem, atualmente a maior parte dos lançamentos imobiliários focam nessa lista dos desejos e o ideal seria ter todos os itens ao alcance, embora isso não seja possível. Selecionei 2 itens: acessibilidade e arborização, que considero importantes na escolha de um bairro para morar.
Acessibilidade – e as nossas calçadas?
O que vem a ser acessibilidade? Na definição mais ampla, é a condição para utilização, com segurança e autonomia, dos espaços e equipamentos urbanos, edificações, serviços de transporte e sistemas, meios de comunicação e informação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida.
O provimento de acessibilidade é um direito ou privilégio? Já é um direito: há leis federais, estaduais, municipais, resoluções e normas que regulamentam o assunto.
Portanto, calçadas e vias exclusivas de pedestres devem ter piso com superfície regular, firme, antiderrapante e atender aos requisitos de inclinação, dimensões mínimas de faixa livre, entre outras disposições da norma pública e das calçadas verdes. Hoje, os responsáveis pelas calçadas são os proprietários, seja o titular do domínio útil da propriedade ou o possuidor do imóvel a qualquer título.
A esses moradores cabe a manutenção dos passeios públicos em perfeito estado de conservação e preservação para que, neles, os pedestres transitem com segurança, resguardando também seus aspectos harmônicos e estéticos.
Ver o verde
A vida das árvores é como a nossa: nascem, crescem e vivem, fortes e frondosas, se possível. A destruição de uma árvore é uma perda irreparável e são diversos os benefícios proporcionados pela massa verde: auxílio na absorção de água pelo solo, reposição de O2 e redução do estresse.
Deixar um pequeno espaço na sua calçada para o plantio de uma árvore faz toda a diferença. A natureza agradece e você será recompensado com um lugar melhor para viver, afinal, a constante melhoria da arborização, que é nosso melhor cartão de visitas, proporciona beleza, saúde e bem estar.. Um condomínio inclui todos esses conceitos e vale a pena pesquisar onde está inserido o empreendimento, seu entorno, e o que existe nas proximidades.
A presença de vegetação exerce influência no controle climático em nível local e global [1]. Localmente, a arborização oferece sombra, sendo que a transpiração das plantas contribui para o aumento da umidade relativa do ar e redução da temperatura em dias quentes. O mesmo processo também permite que a água seja reciclada para a atmosfera, com a formação da chuva. Pensando em nível global, a vegetação seqüestra de carbono da atmosfera, uma vez que capta o CO2 para suas atividades metabólicas e isso reduz a presença desse gás, cujo excesso leva a intensificação do efeito estufa, que é a causa do aquecimento global.
[1] PRIMACK, Richard B.; RODRIGUES, Efraim Biologia da Conservação. 7ª edição. Londrina: Editora Planta, 2006.
domingo, 7 de novembro de 2010
DE CASA NOVA
A construção de uma casa, seja para moradia própria ou para aluguel e venda é um investimento bastante rentável, desde que haja consciência acerca dos procedimentos e técnicas quanto à economia e boa estruturação. Para quem nunca se arriscou nessa área, construir uma casa não é uma atividade muito fácil, afinal, não basta ter um projeto aprovado e uma equipe de obras se você não souber exatamente como funcionará todo o processo.
Para não ter surpresas, é preciso se envolver, ficar de olho e direcionar o andamento da obra, coordenando a escolha e a compra dos materiais. É fato que, se você não tem conhecimento em construções, precisará buscar informações com quem entenda. Mas de todas as formas, o dinheiro sairá do seu bolso e, portanto, você precisa acompanhar a obra do início ao fim.
Aqui serão sugeridas uma série de dicas fundamentais para que sua casa saia do jeito que você planejou: sem desperdícios com materiais ou gastos não-programados.
Localização
Ao escolher a localidade de sua casa nova, deve-se questionar inicialmente qual estilo de vida quero ou posso ter? Se você prefere morar em um lugar afastado, tranqüilo, sem comércio ou serviços e pagar com tempo no trânsito, a escolha é legitima. Porém, é importante estar perto de onde você faz sua vida, pois assim terá um tempo menor de deslocamento entre casa, trabalho e escola. Assim como o preço, a localização é determinante na busca de um imóvel.
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| Foto: Carolina Bitencourt |
A escolha do terreno deve ser feita, sempre que possível, a partir das condições ambientais do local, como a quantidade de luz incidente, presença de vegetação, tipo e permeabilidade do solo. A avaliação desses parâmetros, aliada a um projeto dinamicamente sustentável do seu arquiteto, pode gerar um melhor aproveitamento da luz solar (para iluminação durante o dia e aquecimento da água) e das correntes de ar (gerando um bom índice de umidade, mesmo em dias muito quentes).
Bairros verdes
Como resgatar os princípois de um bairro verde para uma casa mais sustentável?
Inicialmente idealizado pelo arquiteto e ambientalista Michael Corbett, com a construção do Village Homes em 1975, um bairro verde engloba uma atitude diferencial quanto a gestão de resíduos, consumo de energia e emissividade de CO2. Nessas áreas, o uso da luz solar como fonte de energia elétrica, o uso racional da água, incluindo a captação daquela proveniente das chuvas, a compostagem de resíduos orgânicos, a coleta seletiva e a diminuição do uso de automóveis (como forma de reduzir a emissividade de CO2) são algumas das práticas adotadas[1].
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| Calçada arborizada no Village Homes. |
As construções são embasadas na arquitetura verde também por priorizar o uso e materiais como bambu, adobe e madeira de reflorestamento. Telhados verdes ou mesmo aqueles pintados de branco também são usados para maior conforto térmico. Vale ressaltar a intensa arborização nesses locais, condizentes com a proposta de uma maior qualidade de vida para seus moradores.
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| Exemplo de moradia do Vilagge Homes. |
Embora os bairros verdes estejam isolados dos grandes centos urbanos, eles são dotado de uma completa infra-estrutura que conta com núcleos institucionais e comerciais . Dessa forma seus habitantes percorrem curtas distâncias até o seu local de trabalho ou em busca de serviços, utilizando menos seus automóveis, emissores de gases estufa.
Tudo Conectado!
A determinação do local da sua nova casa exerce implicações sociais e ambientais. O impacto causado pela remoção parcial da vegetação e do solo pode ser recompensado com um projeto sustentável, que utilize a luz solar e a água de maneira inteligente, reduzindo as agressões ao meio ambiente.
A possibilidade de morar próximo ao trabalho pode reduzir a quantidade de automóveis nas ruas, o que proporciona melhorias no trânsito, reduzindo o estresse e o sedentarismo, além de ocasionar menor liberação de CO2 na atmosfera, uma vez que os veículos automotores são responsáveis por cerca de 54% a 60% dessas emissões [2]. Tais fatores também contribuem para uma maior qualidade de vida.
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| Ville Radieuse, idealizada por Le Corbusier, |
Países com sistemas de trânsito bem desenvolvidos como França e Holanda, que possuem uma infra-estrutura eficiente de ciclovias, por exemplo, estão melhor preparados para enfrentar, por exemplo, uma queda na produção de petróleo do que aqueles que dependem muito da frota automotiva.
Com uma estrutura cheia de opções de caminhadas e bicicletas, o número de viagens de automóvel pode ser facilmente reduzido de 10% a 20% [3]. Muitas comunidades americanas, como em Charlotte, na Carolina do Norte, não têm calçadas nem ciclovias, dificultando o deslocamento seguro de pedestres e ciclistas, particularmente onde as ruas apresentam tráfego intenso [4]. Portanto, os planos de urbanização bem pensados e executados exercem papel fundamental na dinâmica do trânsito, em que a prioridade é dada aos pedestres, assim como ocorre nos bairros verdes.
[1] Village Homes. Disponível em: http://www.villagehomesdavis.org/public/about Acesso em 1 nov. 2010.
[2] RIBEIRO, S. K. ; MATTOS, L. B. R. A Importância do Setor de Transporte Rodoviário no Aquecimento Global : O Caso da cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. 2000.
[3] BROWN, L. R. PLANO B 4.0 : Mobilização Para Salvar A Civilização. Edição brasileira. São Paulo: New Content, 2009.
[4] John Ritter, Narrowed Roads Gain Acceptance in Colo., Elsewhere,USA Today, 29 de julho de 2007; John Ritter, “‘Complete Streets’ Program Gives More Room for Pedestrians, Cyclists,” USA Today, 29 de julho de 2007.
domingo, 17 de outubro de 2010
Uma introdução ao pensamento sustentável
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| A Praça do Teatro Francês em Paris, obra do pintor impressionista francês Camille Pissarro. |
Porque conservar a biodiversidade é uma questão muito frequente e importante a ser debatida entre leigos e a comunidade científica. No contexto em que estamos inseridos hoje, com elevados índices de poluição atmosférica e visual, com mais da metade da população mundial vivendo em áreas urbanas e o crescimento desordenado destas, as práticas sustentáveis vem ganhando grande relevância nos seus mais diversos âmbitos, sejam culturais, sociais ou econômicos. Na arquitetura e no urbanismo não poderia ser diferente: observa-se atualmente o surgimento de um novo urbanismo, baseado em uma filosofia de planejamento que, segundo a ambientalista Francesca Lyman , “procura reviver o modo tradicional de planejar as cidades, de uma era em que elas eram projetadas em torno de pessoas em vez de automóveis”[²]. Muito além do que serem projetados para as pessoas, os espaços urbanos devem ser integrados ao ecossistema, e não impostos à ele. Dessa forma, a responsabilidade ambiental transcende o campo teórico e o prazer de sentir o frescor e a sombra de um fragmento florestal passa a ser mais valorizado.
Augusto Bitencourt
Augusto Bitencourt
[¹]Conjunto de mudanças tecnológicas iniciada na Inglaterra em meados do século XVIII, com profundo impacto no processo produtivo, pois permitiu maior eficiência do modo de produção industrial. Gerou profundas mudanças em nível econômico e social.
[²]Francesca Lyman, “Twelve Gates to the City: A Dozen Ways to Build Strong, Livable, and Sustainable Cities,” Words and Pictures Magazine, Issue 5, 2007; Lisa Jones, “A Tale of Two Mayors: The Improbable Story of How Bogota, Colombia, Became Somewhere You Might Actually Want To Live,” Grist Magazine, 4 de abril de 2002.
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